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Fleischmann cresce 19% com produtos para consumidor final
De 1931 até 2003, a Fleischmann teve sua imagem atrelada apenas ao fermento de pão no Brasil. Mas a situação tem mudado muito nos últimos anos.

Desde que colocou no mercado sua linha para o consumidor final, que conta com misturas para bolos e pães, além de fermento químico, há cinco anos, as vendas dos tradicionais fermentos biológicos para padarias e restaurantes tem perdido cada vez mais espaço na empresa. Com o objetivo de ampliar as vendas dessas novas áreas ainda mais, a empresa acaba de finalizar a expansão da linha de produção de misturas para bolos. Além disso, lançará uma linha de sobremesas à base de ovos em setembro e também pretende expandir a empacotadora da fábrica de Pederneiras (SP) - que trabalha perto do limite -, até o fim do ano.

Com a estratégia, os produtos de consumo devem terminar este ano fiscal, encerrado em junho, respondendo por cerca de 35% do faturamento, 15% acima do registrado no ano anterior.

O fermento biológico, ainda o principal produto, representa os 65% restante. No entanto, como o mercado desse produto está estagnado, as atenções da empresa estão voltadas para a ampliação da linha de consumo. E a compra da Sóhovos, em dezembro de 2005, foi um importante passo nesse sentido, segundo Niva Sesana Gomes, gerente de marketing da AB Brasil, subsidiária do grupo inglês Associated British Foods (ABF) - detentora da Fleischmann no País.

A nova linha de sobremesas que a empresa pretende lançar será à base de ovos e produzida na fábrica da Sóhovos, em Sorocaba - que produz apenas ovos processados até agora.

O Brasil ainda representa pouco dentro do grupo. O ABF terminou o último ano fiscal, em junho de 2007, com receita de US$ 13,4 bilhões. A operação brasileira fechou o mesmo período com faturamento de R$ 219 milhões, sendo R$ 44 milhões da Sóhovos. A AB Brasil encerrará este ano fiscal com faturamento de R$ 260 milhões, R$ 60 milhões em vendas da Sóhovos.

A Fleischmann trocou de mãos algumas vezes na última década. Em 2002, a australiana Burns Philp adquiriu a empresa da Kraft Foods. Em 2004, a ABF comprou a Burns Philp e ficou com a marca Fleischmann e com a Mauri, pertencente à australiana e que também está presente no Brasil. O grupo ABF ainda possui as marcas Ovomaltine - com produção terceirizada pela Liotecnica no País - e os chás Twinings, que chegam ao Brasil através de importação. No país de origem, o grupo tem forte atuação no setor varejista com a rede de lojas Primark, e também atua na produção de commodities como açúcar.

Segundo Niva, o ABF está atento à oportunidades de negócios no Brasil, inclusive aquisições. No entanto, o foco da atuação deve ser ativos de fabricação de produtos de alto valor agregado, como a Sóhovos. "A empresa não tem interesse em ampliar a atuação em outros mercados de commodities", disse Niva.

Estratégia

Atualmente, a AB Brasil possui 135 distribuidores para os pontos-de-venda de food service (padarias, restaurantes, etc) e 35 para a varejo, que distribui apenas os itens da linha chamada "consumo". "Chegamos a 80% do mercado de padarias, o que representa cerca de 52 mil unidades de rua e 8 mil de supermercados", disse.

Segundo Niva, a estratégia para o próximo ano é ampliar a atuação nos varejos de pequeno e médio portes. "Temos uma presença forte nas grandes redes varejistas, mas ainda não estamos nos pequenos e médios, aqueles com até cinco caixas", disse. "Vamos começar pelo médio. O aumento do portfólio ajudará bastante nas negociações." No último ano, a linha de consumo ganhou 15 novos itens, totalizando 45 produtos até agora.

Niva afirmou que a empresa não podia investir nesses pontos-de-venda em virtude da falta de capacidade. "Agora resolvemos o problema de capacidade de produção de misturas", afirmou.

Preço

Apesar da alta do preço da farinha de trigo, que registrou sucessivos recordes no último ano, Niva afirmou que os repasses não terão grande impacto nos preços finais dos produtos. "Nós repassamos uma pequena parte. Em teoria teríamos que ter repassado mais. Foi um impacto violento. A farinha aumentou 80%", disse. Apesar disso, a executiva contou que o reajuste ficou restrito às misturas de bolo e pão, que foram reajustadas em 7%. A empresa não definiu como será até o final do ano. "Os reajustes podem acontecer sem programação, não posso dizer que não teremos."

Fonte: (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Wilson Gotardello Filho)

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